sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

(Do ano passado, mas é a mesma coisa)

Eu não sei o motivo. Não existe porquê. A verdade é que eu seguro minhas lágrimas em todo o final de ano porque não é legal chorar numa oportunidade de mudança. Minha vida é boa, eu tenho muito tempo pela frente e, então, por que raios a tristeza e a vontade de chorar?
Mas eu não sei se é mesmo tristeza. Talvez seja os problemas dos outros. Os outros que não têm uma vida boa e não têm muito tempo pela frente. Os outros que não têm um milhão de oportunidades enquanto eu controlo minha fútil vontade de chorar.
Fútil porque eu também penso em tudo o que eu não fiz no ano que passou e em tudo o que eu quero fazer no ano que vai chegar. Eu quero terminar a faculdade enquanto milhões de pessoas nem sabem ler. Eu quero perder 5 quilos enquanto milhões de pessoas emagrecem por não ter o que comer.
Talvez seja também a saudade de tudo o que foi. E a saudade de tudo o que vai ser, porque tudo o que vai ser também vai passar. Porque, se tudo acaba, eu não sei o motivo de começar.
Talvez eu sinta vontade de chorar a falta da infância, a adolescência, a velhice. Talvez seja porque a cada ano eu perco mais um ano. Talvez seja a morte, o fim.
A morte de quem eu amo, o fim do que eu gosto, o começo de tudo o que um dia vai acabar. Tudo um dia vai acabar? Talvez seja a certeza do não eterno. Talvez seja o medo do eterno, porque um novo ano não significa mudanças. Não significa nada.
Talvez seja o medo do nada. Talvez seja o medo do medo, porque na verdade eu não tenho medo.
Talvez seja por tudo o que não deu certo, talvez seja por tudo o que eu não sei, pelo que deu certo, pela saudade, pela ausência, por tudo. Talvez eu sinta vontade de me acabar de chorar por tudo. Por mim, por você, e por todo mundo que a gente não conhece.
Talvez a vontade não chegue a profundidade nenhuma e a vontade de chorar vem dos quilos que eu não perdi esse ano, dos livros que eu não li esse ano, de tudo de errado que eu fiz, das mentiras que eu contei. Talvez eu sinta vontade de chorar porque quem mente o que comeu no café da manhã mente o que fez no jantar e eu já menti os dois. E eu já chorei por cada mentira que eu já contei. Eu acredito que um ano novo é sinal de mudanças e isso é uma mentira e, talvez, seja por isso a vontade de chorar.
Afinal. A vontade vem de tudo isso e vem de nada disso. Choro pela incerteza do tamanho do mundo e pela certeza de que daqui 365 dias eu vou sentir vontade de chorar novamente. Choro porque viver dá medo e porque morrer deve dar mais medo ainda. Choro de saudade dos tempos que eu não mais lembro e pelos tempos que virão e que, talvez, eu também me esqueça um dia. Choro porque eu tenho um sentimento imenso de solidão mesmo sabendo que, na verdade, eu sou apenas mais uma que chora porque é muito bonito começar tudo de novo.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Outro texto que não vai mudar nada.

A gente se ama a mais de um ano e eu não canso de falar. Quando eu fico triste, prefiro ficar triste perto de você que não entende e me faz dar risada, mas é mais fácil ficar triste aqui.
Eu estou desenhando coisas que não me pertencem. Nada me pertence e meus rabiscos me dão vontade de rasgar. Rasgar desenho e rasgar escritos. A tela do monitor não dá pra rasgar. Mas dá vontade de rasgar essas fotos de pessoas felizes sorrindo no Orkut. Eu sou malvada. Dá vontade de rasgar tudo e mandar acabar com a brincadeira. Não dá pra eu contar a história completa porque eu não sei a história completa. Mas na rua da minha casa a vizinha deve chorar e eu percebo que ela passa por dificuldades. Isso tudo assusta e eu fico aqui querendo rasgar a felicidade de quem não se deixa atingir ao ver os mendigos dormindo embaixo do viaduto que dá acesso à Avenida Paulista. Não é tudo vagal. Você não sabe. Eu também não sei, mas isso assegura o meu desespero e faz eu querer morrer a tarde toda porque eu não sei o que fazer. E eu tenho muito que fazer. Estou só distraída com meu pânico. Tão estranho ele. Não vou perder as esperanças, só vou querer morrer um pouquinho por todo mundo que jamais vai ler sobre esperança por simplesmente não saber ler. E todo mundo que, assim como eu, terá uma linda ceia de Natal enquanto as crianças carentes que receberão presentes e cestas terão um dia feliz e nada mais. Nos dias seguintes a gente dorme e ri também. Mas e elas?
Tá chegando ano que vem. E nada vai mudar. No fim das contas, nem pra gente e nem pra elas. Então vamos lá, tomar um sorvete de casquinha e dar risada, ouvir uma música e esquecer quem nunca vai saber o que é isso. Porque tem coisa que a gente também nunca vai descobrir. E tem coisa que dá pra evitar. E, de tanto evitarmos, as coisas estão assim e eu escrevo no meu blog essas frases confusas que continuam não mudando coisíssima nenhuma, nem pra mim, nem pra você, nem pra vizinha, nem pros mendigos da paulista e, muito menos, pras crianças carentes deste natal.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Natal

Eu gosto de ligar a televisão e ver os comerciais anunciando que vão passar aqueles mesmos filmes de Natal de sempre. Eu gosto dos especiais de Natal. Eu gosto das luzes piscando, em toda a cidade, dos grandes shoppings competindo para ver qual é o mais glamoroso até as casas mais humildes, com suas mesmas luzes de todos os Natais, quase falhas. Eu gosto da mudança, mesmo sendo ela passageira, das pessoas: elas ficam mais ternas, se deixam ser mais felizes e procuram colaborar com os outros. Eu gosto de panetone, de chocolate, de árvores e de enfeites. Eu gosto das crianças acreditarem no papai Noel e escreverem cartas cheias de esperanças. Eu gosto de crianças, eu gosto de dar presentes e eu gosto de receber presentes também. Eu gosto de peru, de castanhas, de uvas. Eu gosto de gorrinhos vermelhos e gosto de abraços de feliz Natal. Eu gosto das velas natalinas, da missa do galo. Eu gosto de virar a noite com a família e de ver os fogos. Eu gosto dos presépios com a estrela, os três reis magos, Maria, José e o menino Jesus na manjedoura. Eu gosto da festa de Santo Reis, eu gosto das canções natalinas. Eu gosto de ajudar no Natal. Eu gosto de visitar famílias no Natal. Eu gosto da felicidade do Natal. Eu gosto tanto, tanto do Natal...
É a época mais bonita. É o recomeço. É a hora de esquecer como a vida é difícil e pensar em como ela pode ser fácil se a gente não complicar tanto. É hora de partilhar e de ser feliz porque ser feliz é o melhor. E ser feliz faz parte do Natal.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Ninguém

Ninguém entende que se não me derem emprego eu não vou ter dinheiro pra fazer inglês... ninguém entende que se não abrirem uma porta pra mim eu não vou adquirir experiência... ninguém entende que eu to tentando com todas minhas forças e que cada frustração mata um pouco da alegria que há dentro de mim mas eu continuo sorrindo, continuo animando todo mundo, continuo tentando ser feliz mas as vezes a gente falha mesmo e dá vontade de chorar... eu choro... eu fico com a cara inchada... eu fico com vontade de sumir... mas eu não sumo porque ninguém entende, ninguém entenderia...
Ninguém entende que eu não quero mais esperar, ninguém acredita quando eu falo que é verdade, ninguém entende que ele ser mais velho é o que mais me atrai... ninguém entende que eu gostei tanto do jeito que ele me tratou que inventei uma história na qual nós dois ficávamos juntos e éramos felizes... ninguém entende que essa história me fez tão bem que eu aperfeiçoei todos os dias e agora estou dependente dela... ninguém entende que essa dependência me fez bem por algumas semanas mas que agora me deixa down e mesmo down eu não me importo se tiver que tomar todas as iniciativas, ninguém entende que a cada manhã, quando eu acordo, sinto a saudade e a vontade mais fortes... ninguém entende... nem eu entendo... nem ele entenderia...
Ninguém entende que ainda não cicatrizou a cirurgia do siso e eu tirei os pontos antes da hora... ninguém entende que se eu falar demais começa a sangrar... ninguém entende que essa foi a melhor desculpa que eu encontrei pra não ter que falar nada, pra não ter que explicar nada porque ninguém entende, sabe?
E eu não entendo porque mesmo com problemas mais sérios o parágrafo falando dele ainda é o maior... talvez seja melhor não entender... ninguém entende mesmo.

domingo, 1 de novembro de 2009

Você não vai entender

Eu falo demais sem dizer nada, eu sei, mas é que eu não quero falar, eu só quero ser ouvida. Há amplos sentidos na aparente e concreta falta de sentido das coisas. Não pra todo mundo, eu também sei, mas o exato só me torna mais humana e as pessoas esbarram em mim em gestos de palavras que eu não posso ler.
Nada disso importa para outra pessoa que não seja eu mesma. E, no fim das contas, nem eu me importo tanto quando chega o fim do dia e eu também estou me esbarrando nas outras pessoas gesticulando palavras que ninguém jamais poderia ler com precisão.
Os caminhos, em linhas tão tortas, se cruzam e, se por um acaso eu parasse isso talvez não mudaria nada. Mas se você parasse e não tentasse ouvir, uma parte de mim enlouqueceria.
Eu posso enganar a todos e até a mim mesma, mas eu sempre acabo percebendo no espelho quando meu sorriso não afeta os olhos. E o seu também.

sábado, 24 de outubro de 2009

Sobre faltas, excessos e borboletas

É estranho, eu escrevo ás vezes e não sou eu. Eu falo às vezes e não sou eu. Não me reconheço nas frases que eu formo. Não me reconheço nas roupas que eu uso. Não me reconheço nas músicas que eu escuto. Não me reconheço. É como se não fosse eu. É como se tudo estivesse em excesso mas alguma coisa faltasse. Entre um traço e outro, entre uma palavra e outra, entre uma dúvida e outra, entre um olhar e outro há a falta. E é tudo tão simples por dentro que o lado de fora não consegue entender. E isso complica tudo. Eu complico tudo. Eu complico porque às vezes eu vou fundo demais onde só haveria superfície e isso faz com que a criação de mil duzentas e sete borboletas na barriga diminua: uma ou duas voam pra longe, pra fugir do mergulho, e isso dói. Mas depois, numa hora qualquer, as minhas sempre voltam aos bandos e dá até vontade de chorar.
Todas as borboletas devem fugir. Elas devem ir aos poucos, uma a uma. Suas borboletas estão todas aí? Eu sempre acho que um dia, enquanto você dorme distraído, todas vão voar pra bem longe. Vão pra qualquer lugar distante e você não vai perceber de imediato. Com o tempo será como se elas nunca tivessem existido e, um dia, você vai acordar distraído, mas com um ar tão diferente, que novas borboletas surgirão vindas de um novo jardim, que não será o meu.
Desculpe. Eu fico repensando tudo, procurando algo na falta. Indo fundo a detalhes que só eu percebi. Tenho mania de pensar demais no que não é. Eu sempre sofro por coisas que não sei dizer. E é tão egoísta isso. Mas quase não dá pra perceber e dura pouco. Mas quase é real e quase é de mim, que sou quase uma pessoa real.
Só falta eu mesma, no meio de tanto excesso.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Outubro

A vida tá sempre andando corrida por todos os lados. Sempre tem muito o que fazer, ler, estudar, trabalhar e tanta tanta tanta coisa mais... Na minha gaveta tem uma pilha de deveres, na minha cabeça tem uma pilha de vontades. E uma delas é dizer bem alto que eu tô com saudades e que a correria da vida que anda não pode nos distanciar.
Ultimamente eu tô escutando bastante Beatles. Eu assisti Across the Universe várias vezes já. O filme não cansa, a música não cansa. Ele dá saudade de coisas que ainda nem passaram. Ou passaram? A gente nunca sabe.
Na faculdade as coisas ainda estão tranqüilas. Mas não pra mim, fico contando os dias pra semana de avaliação e entro em desespero pensando no tanto de trabalho que tenho pra fazer! Mas, em desespero, não consigo fazer trabalho nenhum. Então durmo durante a tarde. Tenho dormido bastante durante a tarde, antes eu não conseguia, mas agora é bem fácil. Não que eu durma a tarde toda, eu vou fazendo um trabalho ali, uma lição aqui, ajudo minha mãe e quando acabo durmo. Simples assim. Mas o problema mesmo é o dinheiro. Hoje paguei 7 reais em uma folha de papel. Uma única folha, 7 reais. Uma facada, assim como pagar 50 reais em um pincel. Eu paguei 50 reais em um pincel. Os outros não foram tão caros, mas eu comprei muitos pincéis. Mas não importa. Espero usá-los logo, tenho medo de usar sem orientação e estragá-los de alguma forma, por isso ainda não usei. Tô desenhando mais com lápis mesmo. Principalmente preto e branco.
O namoro completa 11 meses esse mês. Tem bastantes cores e está deslizando. Não são passos, a escala é contínua e vai devagar. E isso é bom porque ta tudo bem. Pra mim ta tudo bem. Ta tudo tão bem que eu não sei do que reclamar. As vezes invento uma coisinha ou outra, mas sempre dou risada depois porque não tem como não dar risada depois.
E eu tenho uma amiga que ganhou bebê em dezembro do ano passado. Eu tô querendo visitá-la desde então, comprei até um presentinho, mas a meninha já vai fazer um ano e eu ainda não entreguei. E é roupinha o que eu vou dar, nem deve servir mais.. Fico triste por isso, mas ela mora longe e eu não sei ir sozinha. Tá difícil, mas esse ano eu vou. Eu vou.
E os amigos que moram perto e eu não vejo desde dezembro do ano passado? Tem casos assim também. Eu sinto falta. Mas fazer o quê? A gente sempre combina de se ver mas nunca dá pra todo mundo ir. Ou dá. Sei lá.
Eu tava pensando em como a gente sempre quer tanta coisa. Eu já disse que quero muita coisa, né? Então. Eu quero muita coisa, mas não vou tão atrás. Por que será que a gente deixa passar? A gente tem que fazer as coisas acontecerem. Eu fico aqui e torço pra gente se ver, talvez vocês fiquem aí torcendo pra isso também. Mas e aí?
Aí a gente continua na correria da vida que, na verdade, só anda.
É isso. É tarde de outubro e a um ano atrás era quinta-feira e nos veríamos na sexta de manhã. Tanta saudade eu tenho. Tanta... Imagino que a sentirei pra sempre. Eu, velhinha, relembrando as manhãs no colégio. E as tardes também, as tardes também.
Tô falando demais, né? Vou parar por aqui, a gente se vê logo, eu espero! E não deixe de responder!

Amor,
Bruna.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Pra viver mais

Tá frio lá fora e tá frio aqui dentro também. Tá difícil a semana, eu não sei por onde começar e ela já está terminando. Hoje eu recebi bons resultados do meu esforço, recebi declaração de amizade de quem eu achava que já tinha perdido, descobri que ainda dá tempo de me inscrever no processo seletivo daquela empresa boa e que passei em mais uma etapa de processo seletivo de outra, tenho sorte, eu sei, mas eu só queria que meu celular tocasse agora e fosse você falando que vai me buscar no fim do dia pra gente fazer nada juntos um pouco. E eu queria te encontrar no final do dia, te levar pra minha casa, te deitar no meu colo e enroscar meus dedos no seu cabelo enquanto me conta seu dia, seus planos, seus medos. E eu queria que você me ouvisse reclamar um pouco de tudo, falar mal das pessoas que eu não suporto, da minha dificuldade em dirigir na marginal, do exercício de probabilidade que me fez chorar, que me visse chorar porque ele me fez lembrar minhas fraquezas e me visse rir de mim mesma por ter chorado enquanto tá tudo dando tão certo comigo, me ouvisse declarar meu amor pelos meus amigos, pela profissão que escolhi e que me visse chorar de novo porque profissão sempre me lembra minha irmã e eu tô tão feliz por ela estar dando mais um passo na vida mas tão triste por este passo me deixar pra trás, e deixar as madrugadas em claro rindo e lembrando de tudo que marcou nossa família... queria que você me abraçasse e dissesse que tá tudo bem, que vai estar do meu lado sempre que eu me sentir sozinha e começasse a fazer gracinhas, sorrisse comigo, me desse um beijo e deixasse eu ficar deitada no seu abraço, protegida de tudo e todos pra dormir em paz e acordar mais forte pra aceitar que tudo isso, desde a ligação, é só um sonho que eu transformo em realidade todos os dias dentro de mim pra viver mais.

Eu quero

Eu quero terminar logo todos os trabalhos da faculdade que eu tenho pra fazer esse semestre, eu quero terminar logo esse semestre, eu quero terminar logo a faculdade, a pós graduação, o mestrado, o doutorado, o mba, eu quero tomar sorvete, eu quero ir numa festa com coxinha, esfiha e refrigerante, eu quero chocolate, eu quero muito chocolate, eu quero comida, eu quero emagrecer, eu quero que meu cabelo cresça, eu quero aprender me maquiar e combinar melhor minhas roupas, eu quero ser mais bonita, eu quero ser mais inteligente, eu quero aprender tudo sobre filosofia, eu quero entender tudo sobre matemática e física, eu quero aprender desenhar, eu quero aprender desenhar com uma mãe e escrever com a outra ao mesmo tempo, eu quero aprender escrever, eu quero aprender pintar e modelar, eu quero trabalhar, eu quero subir de cargo muitas vezes, eu quero trabalhar muito e ser feliz também por isso, eu quero ser fera em computação, eu quero parar de esquecer as coisas, eu quero ser mais atenta, simpática e extrovertida, eu quero ser mais otimista, mais legal, mais bondosa, mais serena, mais calma, eu quero sabedoria, inteligência, conselho, ciência, fortaleza, piedade e temor a Deus, quero participar mais da Igreja, eu quero que meu trabalho valha a pena, eu quero ser uma grande geômetra, projetista, pensadora, e muito mais, eu quero me formar em desenho industrial, letras, filosofia, pedagogia, psicologia, física, artes plásticas, ciências sociais, história, farmácia, nutrição, música e fotografia, eu quero ser tudo isso e ainda ser mãe, esposa, e dona de casa, eu quero aprender a dirigir, andar de bicicleta, carro e caminhão, eu quero dormir bem todas as noites, eu quero viajar por todo o mundo, eu quero ensinar e aprender, eu quero um carro, eu quero muito dinheiro, eu quero cortar o cabelo bem curto, eu quero minha família pra sempre comigo, eu quero o Vitor pra sempre comigo, eu quero todos os meus amigos pra sempre comigo, eu quero ter um jardim, eu quero morar numa casa no campo, eu quero ser cantora e ter uma banda, eu quero cozinhar bem, eu quero dar palestras, eu quero ler todos os livros que existem e entendê-los, eu quero assistir todos os filmes, ir a todos os shows, decorar todas as músicas, eu quero saber tudo sobre tudo, eu quero amar muito, eu quero não errar tanto, eu quero sorrir sempre, eu quero dar muita risada, eu quero que todo mundo seja feliz, eu quero ser feliz, eu quero ajudar muita gente, eu quero me divertir, eu quero casar, eu quero ter filhos, netos, família grande, eu quero fazer alguma diferença, eu quero que tudo isso valha a pena, eu quero saber dar conselhos, eu quero escrever livros, eu quero não estar sozinha nunca, eu quero levantar dessa cadeira pra começar a fazer alguma coisa, eu quero lutar pra conseguir o que eu quero, eu quero deixar de preguiça, eu quero parar de deixar pra depois, eu quero, eu quero, eu quero tudo, eu quero que os dias passem rápido pra eu conseguir logo tudo o que eu quero, eu quero que os dias passem bem devagar pra eu aproveitar tudo o que eu tenho, eu quero aproveitar tudo o que eu tenho, eu quero, eu quero, eu quero, eu quero tudo isso e muito muito muito mais...
E na verdade o que eu mais quero, o que eu quero mesmo é parar de querer tanta coisa. E só.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Falando sério

“Falando sério, é bem melhor você parar com essas coisas de olhar pra mim com olhos de promessas e depois sorrir como quem nada quer. Você não sabe, mas é que eu tenho cicatrizes que a vida fez e tenho medo de fazer planos, de tentar e sofrer outra vez”.

Incrível como Roberto Carlos realmente consegue fazer com que eu me sinta sozinha, com músicas bonitas, com músicas tristes, com músicas que falam o que eu queria falar mas não consigo... já que bateu deprê mesmo, falando sério, é bem melhor a gente parar por aqui se você não tem certeza, se acha que não é a hora. Eu falo sério.
Falando sério entre nós deveria haver mais sentimento e se não é sua intenção me dar é melhor a gente fingir que nunca rolou intenção nenhuma, que nunca rolou olhar nenhum, que nunca rolou nenhuma fungadinha no pescoço porque eu permiti meu coração abrir a janela pra você olhar dentro dele e você abriu a porta também, agora ta entrando vento porque eu esqueci do meu coração e fui atrás da porta do seu e não te encontrei. Eu te vi do outro lado da rua mas passou um caminhão daqueles grandes e quando eu olhei de novo você já não estava lá. Toda vez que eu saio eu me preparo pra, quem sabe, te ver de novo mas eu não encontro e pode ser exagero meu, pode ser fraqueza minha, pois que seja fraqueza então, mas eu já tenho feridas que a vida fez e não quero mais cicatrizes nem ventos gelados dentro do meu coração, eu não quero mais esquecer de mim pra ir atrás de coração que não sabe o que quer... eu não quero mas até estou me permitindo sofrer um pouquinho agora... só porque é você.
Falando sério, eu me permiti ser feliz por causa de você e eu me permiti ter desejos que eu nem sabia mais que existiam por você. Eu permito que você diga que eu to errada e que quer se permitir ser feliz por mim também, só não deixe a porta aberta e saia porque alguém pode querer parar o vento, só não ameace entrar e suma porque alguém pode querer ocupar seu lugar... e eu posso gostar.

(Mais uma carta que não vai)

Você não vai entender mas, eu não encontro um jeito para parar de gostar de alguém. Não importa o tempo nem o que aconteça. Mesmo que seja alguém que fez algo ruim pra mim, pode ser que o jeito de amar mude, mas eu não deixo de amar. Pode ser que eu suma, que a pessoa suma, que eu não a veja nunca mais, mas os dias passam e eu sempre acabo me lembrando com carinho.
Sempre te considerei muito, muito mesmo. Como um grande amigo, mesmo que eu não deixasse parecer que fosse sincero, que, sei lá, que você é importante para mim e que eu penso em você com carinho, mas com um carinho triste, preocupado..
Sei que você deve pensar que eu não tenho nada a ver com a sua vida, eu nem quero uma reposta pra isso que estou tentando te dizer (mesmo porque eu acredito em demasia que a resposta não seria das mais amáveis), mas é que eu sinto muito por não conseguir ver você sendo a mesma pessoa de antes. Eu sinto muito por você ter mudado tanto. Prefiro acreditar que você mudou, tanto, a acreditar que você sempre foi assim. Não quero te ofender nem nada. É só que eu tava lendo um texto aí e lembrei que você adorava ler, e aí lembrei também que eu li o livro que você me indicou, Ponte para Terabítia, que fala sobre amizade, e que eu gostei do livro. Mas você parece estar tão distante de tudo isso...
Você não sabe como você me deixou triste (não quero te dar sermão nem nada, mesmo porque a pessoa que mais ficou triste, e que ainda está triste, acredite, nem deve ter chegado a conhecer o amigo que você foi pra mim – abro outro parêntese aqui pra dizer que essa pessoa nem sonha que eu estou escrevendo isso pra você, caso você imagine que tem alguma ligação, porque ligação direta não tem, não mesmo, o que estou te dizendo aqui é uma coisa muita minha, estou te falando como amiga que não vai embora porque você não foi bom menino, que não vai embora só porque você foi embora...).
Nem eu sei bem o que e porque estou tentando te dizer, mas, sintetizando tudo o que eu queria te falar, talvez fique simples: no dia em que você resolver sair desse lado daí e resolver pensar nas pessoas do lado de cá, eu faço um bolo de chocolate pra gente lembrar que ainda somos adolescentes e que Dom Quixote jamais precisou tomar alucinógenos pra lutar contra moinhos de ventos e que Sancho Pança sempre teve um motivo pra estar lá.
É isso aí. Força sempre.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Entenda,

Eu acordo triste e fico quieta o dia inteiro. Mas eu sempre tô quieta, mesmo não estando sempre triste. E você sempre percebe. Você sempre consegue perceber quando eu tô triste e me pergunta por que. Eu explico dizendo que não é, ou conto em uma frase o que, talvez, daria pra transformar em um livro.
É estranho, mas eu preciso estar triste às vezes, entenda. Eu preciso porque estar sempre feliz pesa debaixo dos olhos e eu preciso fechá-los pra não ser injusta com quem nunca conseguiu abri-los e comigo mesma porque, no fundo, eu nunca soube como lidar com a situação quando está tudo bem.
Todo mundo sofre, todo mundo fica mal. Seja lá qual for o motivo. E eu tô mal agora, só não sei te dizer como.
Por mais que eu queira que você entenda, não tem como te explicar o que nem eu entendo. As palavras não conseguem se encontrar, e eu me sinto numa piscina fria, antes do primeiro mergulho, sem saber nadar. E aí a tristeza acaba passando.
Você pergunta pergunta pergunta um motivo. E aí ela passa porque, por mais forte que ela possa ser, ela não quer que você também fique triste só por causa dela.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

É como respirar

Mais uma vez estou sentada aqui tentando pensar em alguma coisa, qualquer coisa que deixe meus pensamentos longe de você mas você sabe, não ta funcionando. Eu não sei o que aconteceu, foi inevitável não relacionar nossa história com a teoria das almas gêmeas de Platão quando eu tava lendo aquele livro pra tentar te esquecer, parece brega mas é a única coisa que pode explicar porque já estava em tempo de a loucura, se fosse loucura, passar, e não passou.
Eu não tive intenção de ir tão longe, mas eu fui. Não tive intenção de me apaixonar, mas eu me apaixonei... não tive intenção de corresponder seu olhares e suas investidas, mas de nada valeu não ter intenção nenhuma porque agora eu to aqui arrancando os cabelos de saudade de você, de vontade de sentir o cheiro do Ferrari Black naquela jaqueta que te deixa com tanta cara de homem que me faz sentir a mulher que existe por trás do meu rosto de criança, que só é provocada por você, que só sabe ser mulher perto de você.
Eu to aqui tentando me convencer que pensar em você e te afundar ainda mais na minha mente não é a coisa mais esperta a se fazer, mas quando eu chego perto de me convencer eu resolvo dar mais uma olhadinha na sua foto do Orkut e quando abro a minha página inicial vejo lá um recado seu, sentiu que eu me afastei e veio atrás. É sua culpa, é tudo sua culpa, eu não queria te corresponder mas você sabe, eu correspondo... e eu queria sentir raiva de por isso, mas não tem jeito, meus olhos já te contaram todos meus segredos e te ensinaram exatamente como agir, como me prender. Já não tem como reverter, eu ando pensando em você... e é como respirar.

Pra você

Eu tava pensando em mim e em você, e quando eu penso muito muito muito em mim e em você, meu coração fica apertado. Eu não sabia que o coração apertava tanto com coisas boas, mas aperta, aperta sim. Eu tiro os pés do chão colocando-os num chão diferente. E eu tô num chão diferente desde que, não sei, desde que eu segurei o seu braço pra você segurar minha mão e deu certo. E antes disso também. Porém, as vezes eu volto, as vezes você não tá aqui, as vezes eu tenho problemas como qualquer outra pessoa ou os invento (porque você tem mania de tirar meus problemas). Mas quando eu penso muito em mim e em você, meu coração fica tão apertado que eu esqueço que acabei de terminar o ensino médio e tenho vontade de me casar e ter 6 filhos.
É que eu fico tão feliz quando eu penso que você também gosta de mim e que talvez você também tenha vontade de se casar comigo e ter 6 filhos que eu gostaria, sinceramente, que esses momentos nunca passassem e eu tenho certeza que quando eu te perder, nunca conseguirei encontrar tantas qualidades, tantas coisas boas, tanta perfeição numa outra pessoa.
Quando penso que você é meu namorado (gosto muito de pensar nisso, fico repetindo infinitas vezes antes de dormir, que você é meu namorado), esqueço tudo que é ruim, esqueço até que eu deveria tentar ser mais legal porque eu tenho que aproveitar todo o possível enquanto você é meu namorado (talvez um dia não seja mais e é tão intenso o que eu tenho por você que meu coração fica apertado e eu esqueço, mais uma vez, que você pode não estar mais aqui um dia).
Queria te escrever alguma coisa bonita que fizesse você ler e reler, pensando, é pra mim. Queria que você entendesse que você faz eu ficar cheia de mim, porque, no fundo, por mais bobo que seja, eu também sou amor. Eu queria te escrever alguma coisa bonita que não fosse apenas alguma coisa bonita.
Na verdade, o que eu queria mesmo, era escrever pra você. E, com o coração apertado, te digo, é isso.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Ela.

Ela não o conhecia. Não o conhecia completamente, mas conhecia o necessário pra saber que não era o caminho mais fácil e, mesmo assim, continuou se arriscando.
Ele inventava suas palavras e verdades. Não gostava de problemas, só dos inventados por ele. Coisa que ela já tinha notado. Poderiam pensar que ela gostava. Mas mesmo assim não se submeteria às coisas que aconteciam por simplesmente gostar. Gostar. Como poderia parecer que ela gostava tanto se só se viam motivos para o contrário? Porque era um desafio? O mundo é repleto de pessoas legais e ela não mudava o caminho, continuava deixando-o tentar desvia-la da linha reta em que seguia. E ela desviou bastante, mas para os planos que ele fez não valeu de nada.
Ele tentava convence-la de que suas ideologias eram certas, de que viver a seu modo era melhor. Mas, pra ela, nunca poderia ser.
Ou ela acreditava no impossível ou ela não acreditava em nada. Depois de um tempo, tive certeza que ela não acreditava em nada.
Eu disse, não continue tentando, isso tá te fazendo mal. Você tá me deixando de lado, mas eu não abandonei você. E não adiantou.
Ela tava insistindo. Ela tava insistindo porque insistir em mim não é insistir em mim. Eu continuei insistindo porque meus sentimentos são tão fortes e egoístas que eu insistiria no que fosse só pra não pensar depois que não tentei, que a culpa foi minha.
Mas eu não sou mais assim. Eu não sou mais assim porque meus sentimentos ficaram tão mais fortes e tão mais egoístas que agora insistir em mim voltou a ser insistir em mim: por quem eu tenho meus sentimentos, tão fortes e egoístas, não vai, definitivamente, querer me ver mal.

domingo, 6 de setembro de 2009

Não sei o que tá acontecendo.

Você disse que seríamos amigos pra sempre. Eu tenho medo de dizer pra sempre e até devo ter falado isso na hora, se não falei, me lembro de ter duvidado por alguns instantes porque, no fundo, tudo sempre pode acabar.
Nossa amizade começou do nada e de repente você era um dos meus melhores amigos. Eu pensava em você quando eu estava triste, assim como sempre penso em pessoas importantes pra mim quando estou triste, e ganhava alguma força pra continuar. Você tava comigo nos meus piores dias, a gente só se olhava e você já percebia que eu não tava bem. Você falava várias coisas que ocupavam meus pensamentos a tarde toda: eu pensava em suas palavras bonitas em vez de pensar nos meus problemas, já tão desgastados.
Eu imaginava a gente, já velhinhos, e você vindo me visitar. Eu fazendo um bolo de laranja e você com aquele olhar “nítido como um girassol”, transformando qualquer conversa banal em um descobrimento do mundo.
Não sei o que tá acontecendo. Uma vez me disseram que as amizades vão morrendo porque as pessoas mudam e deixam de ter interesses em comum. Mas nós sempre fomos diferentes, e sabemos disso. E eu não consigo associar a palavra interesse a palavra amizade, seja lá qual for o sentido. Mesmo que os amigos mudem, eles sempre terão algo em comum, mesmo que seja apenas um passado distante pra relembrar e dar risada (e o nosso passado nem é distante).
Não sei o que tá acontecendo. Agora eu falo com você e não é a mesma coisa. To começando a duvidar, de novo, de que será pra sempre. E dessa vez a dúvida não ta durando um instante. E isso é triste. Tão triste que eu resolvi escrever esse texto que eu, sinceramente, duvido que você lerá. Mas, caso leia, espero que essas coisas que estou colocando pra fora não acabem com as que ainda restam por dentro.
Não sei o que tá acontecendo. A sua indiferença grita com tudo o que eu sempre acreditei em você. Grita alto num ritmo que não tem nada de música, mas que faz com que todas as minhas crenças nas nossas descobertas do mundo a acompanhem como uma dança confusa e impressiva, que embaralha tudo e que não dá pra entender. Isso dói. Já perdi amizades antes, a gente acaba aprendendo como é que isso acontece e eu tô sentindo que ta acontecendo com a gente. Mas entre nós existe um laço que não se pode desfazer, mesmo com a correria dos dias. Não poderia, pelo menos. É um compromisso bonito, ou pelo menos foi.
Ta tudo desabando. Não descubro um motivo que me explique porque é. Não sei se você sente o mesmo, não sei se você faz idéia de que isso ta me machucando, não sei se você consegue entender. A gente nem se olha mais, como você poderia perceber que eu não tô bem? É só o brilho falso dessa tela quadrada que transmite imagens e palavras não ditas. Posso estar enganada, pode nem ser nada disso. Ainda consigo acreditar, pelo menos um pouco, e tô me sustentado nisso. Não quero me deixar levar. Não sem você. Prefiro acreditar que as coisas estão, mas não são assim. Espero que entre nós ainda exista amor pra recomeçar. Você me prometeu e, apesar de tudo, te chamarei sempre de amigo e acreditarei em você. Afinal, eu também prometi. (E foi uma promessa dessas que, um dia, acontecerão).

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

O fim do ponto final

Eu queria postar. Até tentei escrever uns textos novos sobre alguma coisa qualquer, o calor, meus amigos, minha gata, minhas dúvidas, sei lá, qualquer coisa mesmo... tentei escrever sobre o nada também, sobre o tudo, sobre o que eu sei e não sei, mas no meio de todas essas tentativas eu me pego pensando no seu olhar, no seu sorriso... e na música que tava tocando quando eu sai do carro e me despedi. Ela tá tocando na minha mente agora, eu ligo o rádio e a ouço não importa em qual estação, todas as 527 músicas do meu ipod são iguais, eu tento cantarolar outras músicas mas é estranho, meu cérebro pensa em uma mas o som que emito é da mesma música que invadiu todos os cantos da casa, tudo, tudo! Acho que eu não canto mais com a boca, eu canto com o coração. (agradeço o Tahara pela frase tão útil!)
E por que raios eu fui falar "tchau"??? Tantas coisas úteis pra eu dizer e eu falo justo essa palavra tão ingrata e tão triste, essa palavra que é quase um tabu. Eu não podia ter falado tchau, aquilo não podia ter sido um adeus, não quero que acabe, não pode. Demorei anos (tá, foi um ano só) pra sentir isso de novo, e eu sei que é loucura da minha cabeça e que daqui a pouco eu caio em mim e viro mais essa página, mas é tão bom sentir as borboletas dançando no meu estômago no ritmo que meu coração bate de novo que eu quero curtir o máximo que puder. Voltando ao meu erro, será que se eu prometer, de joelhos, a Deus que dessa vez eu vou me controlar direitinho Ele deixa eu encontrá-lo mais uma vez pra tirar da minha cabeça que o "tchau" idiota que eu disse foi um tabu e separou nossas vidas com um abismo enorme pra sempre? Será que
Ele deixa eu simplesmente esquecer meus pais, meus amigos, a sociedade em geral e ficar em silêncio alguns minutos, só sendo devorada por aquele olhar que me segue pelo retrovisor, pelo espelho do banheiro e pelo espelhinho da bolsa que tantas vezes eu usei pra olhá-lo também? Pois se Ele deixar eu prometo! Não vou me precipitar, não vou desistir quando conseguir, não vou procurar defeito em tudo, não vou deixar seu perfil do orkut nos favoritos pra procurar agulha em palheiro a cada 5 minutos, vou ser normal, apaixonada, mas normal, porque você é tão homem e me faz sentir tão mulher que eu quero ser, de fato, uma mulher pra você, quero que você sinta orgulho de mim e da família que você tanto quer e eu vou ajudar a construir.
Eu não sei terminar esse texto e eu não quero terminar, não quero por fim em mais nada que se refere a você, pelo menos até eu cair em mim e ver que é tudo uma grande bobagem... se é que é uma grande bobagem,

(o texto não acabou, tem vírgula alí em cima... não acabou!)

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Este texto não vai mudar nada.

Detesto tanta coisa. Queria ter 6 anos. Quando eu tinha 6 anos eu pensava tudo tão bem que nem me importava tanto tanto tanto em não entender. Nesses tempos, eu detestava as coisas por 10 minutos e depois esquecia.
Mas nem é um detestar. Eu não detesto tanta coisa. Eu me chateio, é isso. Ligo o computador sem pensar e as janelinhas do mozila firefox aparecem saltando notícias ruins, pessoas ruins, felicidades que, no fundo, me parecem também ruins.
Me entristeço porque as pessoas são tão egoístas.. Fico pensando no que poderia fazer e por mais que eu tente, é sempre tão pouco... Parece que o mundo é imune a tudo isso e então as janelinhas do firefox saltam mostrando sorrisos, viagens e diversão. Faço um esforço enorme pra não me importar também. Mas eu me importo cada vez mais e cada vez mais me vejo mais e mais egoísta, fazendo tão pouco e me chateando com quem poderia fazer mais e não faz.
Tanta gente se diz do bem, mas, como se pode ser do bem se você não faz o bem? Como você pode se considerar uma pessoa boa se tudo pra você está centrado em você? A bondade não é ligada ao individualismo. Para ser uma pessoa boa de verdade, é preciso praticar a bondade com a força dos braços e com o suor do rosto. Eu posso não saber fazer isso, posso até estar me contradizendo, posso estar tentando explicar o que nem eu entendo bem mas é que isso é tão difícil e ao mesmo tempo tão claro que...
Não mais tentarei explicar. Bem sei que não adianta e pode até parecer besteira. Eu só me chateio e não muda nada. Eu só detesto tudo isso, cada vez mais, e não mudo nada...
Eu só precisava desabafar um pouco, mesmo sabendo que isso, também, não muda nada.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

O tipo certo de cara errado

Eu tava começando a achar que o problema era comigo. E estava cada dia mais convencida que a medicina conserta uma coisa pra ferrar outra e nem precisa de remédio pra isso, umas sessões de análise já são suficientes. Esqueci o que me machucava mas agora não dou espaço pra mais ninguém me machucar, nem ao menos tentar.
Há tempos reclamo por estar sozinha (no sentido de sem namorado) mas o problema não é nem nunca foi falta de homem, aparecem de todos os tipos, altos, magros, gordinhos, bonitos, inteligentes, burros, enfim, todas as cores, credos e classes sociais e eu continuo sozinha e de coração vazio. Talvez o problema fosse comigo que não sei mais me entregar. Justamente aí aparece outro probleminha, não quero citar nomes mas quando você me olha derrete tudo dentro de mim e eu fico super sem graça, logo eu que adoro fixar num olhar... quando sorri e olha daquele jeitinho meio de rabo de olho que só você sabe eu não sei dizer o que sinto, isso sem contar do combo sorrisinho olhando meio de rabo de olho e dando um soquinho no meu antebraço...
Hoje eu sei que foi a última vez e sequer tive coragem de falar o discurso que ensaiei a semana inteira, talvez porque faz tanto tempo que não choro por alguém que ia adorar quebrar meu jejum com você pra ganhar outro abraço, mas eu não posso, até porque não to apaixonada por você... só to encantada com o seu jeito de derreter o gelo que tem dentro de mim. Voltando pra casa eu repeti várias vezes pra mim mesma “não vai doer, não vai doer” e não ta doendo, juro, o fim de nós dois não dói nem um pouco, o que ta doendo é não saber quando vou sentir isso de novo... e que talvez quando eu sentir seja por um cara tão errado como você.
Foi pensando na nossa situação que cheguei a uma conclusão: o problema não é comigo é com os caras que não sabem me conquistar, eles não sabem olhar, não sabem sorrir, não sabem me acalmar nem me fazer sentir confiança em mim mesma. Eles não sabem ser amigos antes de demonstrar outro interesse. Mas eu não vou desistir, você me mostrou que eu ainda sei e posso balançar só preciso do ritmo certo.
Ah, e quanto a nós dois? Ninguém passa na vida de ninguém sem um motivo. Entendi porque precisei passar meio ano com você e quer saber? Você nem é o cara errado, você foi o cara certo pra me ensinar o que ensinou, eu só confundi as coisas um pouco. Agora passou e eu sei que numa vida na qual tantas coisas acontecem, de repente o amor também pode acontecer.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

(Mais do mesmo)

A gente dói às vezes. Uma dor tão dor que nem se pensa em chorar, mas se chora mesmo assim porque não tem outro jeito. Mal sabia Macabéa: aspirina não faz passar. Música não distrai, televisão não concentra e nada concentra. Doer ocupa tudo. E olhar para o teto, o chão, a paisagem, a avenida, o telefone, as pessoas, o vazio, não vai bastar. Não se entende o porquê e se acha injusto. Não dar importância faz doer mais ainda. É difícil levantar um motivo real, mas é fácil levantar motivos sinceros. Pode parecer que nem é e, talvez, realmente nem seja.
De fora pode parecer qualquer coisa, mas não é. É outra coisa. Meio cansaço, mas também não.
A cada tempo mais coisas importam menos. É preciso sobreviver à calma e deixar de inventar pedras no caminho.
Mas, inventar? São todas sinceras, não ria. Não ache graça das complicações. A graça faz parecer brincadeira, besteira. Dá vontade de deixar as complicações pra lá. Mas pra lá onde?
Não ria, é sincero, sabe? Assim, eu vou perdê-las e rir também, mas você pode não estar aqui depois, o que facilitaria a volta delas, das complicações, das pedras inventadas no caminho.
Quem vai trazer a graça da tristeza no dia em que você for embora? Porque todo mundo vai embora. Menos eu. Você vai embora um dia e eu vou continuar aqui. Posso até parecer distante, mas não estou indo pra longe. Eu não estou indo embora. Estou indo pra dentro.

sábado, 22 de agosto de 2009

Nova era

Matei! Já faz tempo, na verdade, ta tudo bem morto. Eu esperei um tempo pra enterrar porque em cima da terra esse sentimento me sufocava até eu não agüentar mais, imagina só se embaixo da terra ele resolve reaparecer, sentimento sufocado num coração idem ia me levar a loucura e eu prometi, eu prometi que eu não ia mais voltar naquela psicóloga e eu prometi também que teria o prazer de escrever o último texto falando dele e ia postar aqui. É uma maneira de gritar pro mundo inteiro que morreu! Eu matei a minha espera, a minha dor, as lembranças, os presentes, o sentimento. Arranquei ele e tudo que se refere a ele de dentro de mim com toda a força que eu pude e matei! Matei bem morto, aproveitei o embalo e o matei do meu Orkut e exterminei do meu MSN. Meu celular novo nunca teve o número dele, meu computador recém formatado não lembra mais de conversa nenhuma e meu netbook nem sonha que ele existe.
Agora que já tá tudo bem morto eu resolvi não enterrar porque sabe, os bichos comem e... coitados dos bichos =S preferi cremar e jogar num rio, foi o que eu fiz. Parei em frente à água corrente, joguei tudo lá, virei e fui embora, nem vi a água levar. Não por causa daquela música que diz mais duro é o amor de partiiiirr, se fica a olhar ele iiirrr (8) mas porque eu não quero mais olhar pra trás, sei que lá tem um passado que me fez sofrer e não me interessa mais. Agora eu olho dos lados e vejo meus amigos, fiéis companheiros, vejo a Penélope, meus pais, minha irmã, minha vó, meus tios e primas e em frente eu vejo um futuro, incerto, confesso, mas que eu estou escrevendo com a minha melhor caligrafia e eu sei que quando chegar lá na frente não terei medo de olhar pra trás e dizer que eu fiz meu trabalho muito bem feito.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Eu não aguento.

Eu não agüento mais, eu não agüento mais, eu não agüento mais. Poderia encher milhões de linhas escrevendo que não agüento mais, mas isso não me ajudaria a agüentar. Mas obrigada, obrigada. Obrigada por estar lendo isso que eu mal comecei a escrever. Obrigada por ler o quanto eu não agüento mais e, mesmo que você não entenda, mesmo que eu não consiga dizer o que ou porque eu não agüento mais, obrigada. Obrigada por me agüentar, porque nem eu me agüento mais.
Na verdade eu não sou boa em traduzir o que estou sentindo ou pensando. Nunca fui e não é agora que serei. Mas o que estou tentando explicar é que existe um buraco enorme em mim, e que hoje eu chorei no ônibus porque tocou uma música que mexeu comigo. Ontem eu também chorei caminhando pela rua porque eu passei por um lugar que mexeu comigo. Anteontem eu chorei antes de sair de casa porque eu me lembrei de várias coisas que mexeram comigo. Agora eu estou chorando por tudo isso junto.
Eu queria voltar, voltar, voltar no tempo. Eu não agüento mais os novos lugares que eu tenho que freqüentar, os novos caminhos, as novas músicas. E eu não agüento mais ter que agüentar as novas pessoas.
Eu deveria estar feliz, talvez. Mas não consigo. Não é pelo cansaço, não é pelas tarefas, é pelas pessoas, é pelos lugares, é pelas músicas, é pelas palavras.
Eu acordo de manhã com preguiça de abrir os olhos. Com preguiça de escolher uma roupa, de tomar café da manhã. Tudo parece ser igual. As coisas não vão voltar a ser como eram antes, ninguém mais será igual, tudo vai mudar. Tudo está mudando. Já mudou? Quem sabe.
Para ser feliz, é preciso estudar, se esforçar, manter bons relacionamentos e amar. A única coisa que eu consigo fazer é amar. Mas nem isso eu consigo fazer direito. Talvez por isso eu não consiga estar feliz. A pergunta é: ser ou estar? E ser feliz, eu sou? Hoje não, porque eu não agüento mais.
Eu entro no ônibus de manhã e vejo as mesmas pessoas de ontem, que serão as mesmas de amanhã. Eu não gosto delas, desculpe. É errado isso, devo amar ao próximo. Mas eu as amo, amo sim. Apenas não gosto delas. É diferente.
Eu sinto vontade de morrer um pouquinho, de chegar em casa pra não sair nunca mais. Eu sinto vontade de fazer falta de verdade também. Você sente falta de mim? Eu sinto falta de você e eu nem sei quem você é. Eu sinto falta de tudo. De tudo o que eu já tive e de tudo o que eu não tenho e nem nunca terei.
Mas cadê tudo aquilo que eu sonhei um dia? Cadê tudo aquilo que eu imaginei? Não existe. Nada disso existe: vivemos somente esperando. A felicidade é a espera da felicidade. Eu não espero mais nada agora, porque tudo o que eu esperaria agora já passou. Eu me enganei tanto comigo mesma que não agüento mais me permitir.
A falta de esperança faz eu me encher de esperança: e se eu morrer amanhã? Quanto egoísmo. É que eu perdi o encantamento, a magia, o gás que tive até aqui. Cansei de sonhar o dia inteiro com coisas que quando acontecem, perdem a graça. Cansei de sonhar com minha vida inteira enquanto olho a paisagem pela janela (pela janela do ônibus, é claro). Ficou um buraco. Um buraco enorme em mim. Não sei pra onde ir. Quem não sonha não sabe onde quer chegar.
Eu não agüento mais. Um buraco enorme em mim: uma sensação de falta, de pouco, de vazio, de abandono. Eu me entregaria ao novo, mas não posso me entregar porque não me tenho.
Quantas coisas eu já perdi por não estar madura o suficiente pra agüentar as mudanças? Quantas pessoas eu já perdi por estar afundada nos meus próprios problemas deixando pra depois? “Mês que vem nós saímos”. Não, não saímos. Tantas pessoas importantes pra mim que eu perdi por morarem muito longe, por terem se tornado muito diferentes de mim, por eu não ter agüentado. E se elas morrerem amanhã? E se eu morrer amanhã? Todos os meus amigos vão morrer ou me deixar antes. Todos. Mas e os que eu deixei? E se eu morrer antes do mês que vem? A vida é a morte diária. As pessoas sempre vão embora. Essa é uma das piores coisas do mundo. E as pessoas sempre chegam também. Mas hoje, essa também é uma das piores coisas do mundo.
E não dá pra fugir. Por mais que eu não agüente, acabo agüentando, porque a estrada não tem volta e eu não agüento mais não agüentar.

sábado, 15 de agosto de 2009

Ei

Baladas fedidas e cheias de pessoas bêbadas, fumando e cantando vitória por ter ficado com aquela biscatinha de short curto, ou o malhadão idiota sem camiseta... cabeças vazias... corações desertos... e eu não vejo graça.
E falando em ficar, seja na balada, seja num barzinho ou mesmo numa festa na casa de algum conhecido, crianças, adolescentes, jovens e até mesmo adultos afogando os sentimentos na boca (ou outra coisa) de uma pessoa pra depois se despedir e ou ficar com outras ou ir pra casa e acordar sozinho no dia seguinte. Eu não vejo graça.
Jovens reunidos em torno de um carro com o porta-malas aberto tocando uma música horrível e ensurdecendo os vizinhos, sem falar dos litros de cerveja consumidos e das milhares de latinhas jogadas na rua. E eu não vejo graça.
Início de aulas nas faculdades e aquele monte de gente rindo, gritando, correndo, bebendo, usando drogas, enfim, se divertindo a beça com brincadeiras idiotas do famoso trote no qual dificilmente surgem novas amizades, afinal, quem vai se reconhecer sóbrio e limpo? E eu... bem, eu não vejo graça.
...
Deus? Ei, Deus? Qual o meu problema?

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Hi-tech

Tô com vontade de ser formatada. Quero ser formatada agora! E falando nisso, já reparou que a vida parece um computador? O usuário é você mesmo, mas as vezes algumas pessoas se metem a besta de tentar mexer e ou fazem um estrago, instalam vírus (ou eles mesmos são os vírus... sim, tô falando de você =) a brincadeira não era ofender um ao outro? Pois bem, amei a brincadeira!) ou então é alguém que sabe muito bem o que está fazendo e dá um jeitinho de limpar o que não precisa mais, instala programas úteis e até te deixa mais espertinha! É justamente uma pessoa dessas que eu procuro, mas na verdade ele não precisa entender muito de computador, só precisa saber formatar um. Depois de tirar de mim tudo que não preciso mais lembrar, principalmente os vírus e spywares que acham que ainda causam algum estrago no meu sistema e não causam estrago nenhum, apenas ocupam uma memória que poderia ser usada com coisas muito mais úteis e interessantes, essa pessoa só precisa instalar de novo tudo que há de bom em mim e se instalar também. Pode ficar o tempo que quiser, um ano, um mês, um dia... uma vida... só quero que me ajude a esquecer o que não quero mais lembrar e depois, bom, depois prometo trazer a esse usuário tudo que ele espera de um computador de última geração.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

É que...

As coisas estavam tão bem... Queria continuar acreditando que tudo vai dar sempre muito certo sim. Mas isso é de mim? Tenho desesperos antecipados, pensamentos involuntários, medos que rondam o tempo todo. Isso era de mim.
Com você eu me sinto tão mais calma, eu sinto que tudo vai dar sempre muito certo sim e isso é um alívio. Mas eu desconfiei de você.
Pensei no perigo que é ter confiança em alguém. Me lembrei de coisas ruins que sempre podem acontecer. Tenho caraminholices que não consigo evitar, mas to aprendendo a conviver com elas, ainda mais porque você faz eu perceber que com você, pelo menos com você, não há nenhum perigo... A gente aprende a não confiar e a não pedir desculpas. Mas em você dá pra confiar de qualquer jeito... Eu pensei mal de você e não foi bom. Escrevo isso porque eu preciso te pedir desculpas...
Desentendo, agora, os pensamentos que foram. E eu não preciso mesmo entender, eles já foram. E não voltarão porque você é a certeza no meio de todas as dúvidas. Você é a surpresa da rotina, é quem me deixa com saudades em questão de horas, é quem eu espero, é o quentinho, é com quem eu sonho antes de dormir, é o mocinho das minhas histórias, é a luz acesa na casa escura, é o par pra dançar desajeitado comigo, é a mão pra eu segurar, é o abraço pra eu descansar de todo o mundo...
Queria que você soubesse que você continua meio perfeito e tem toda a minha confiança. Mas você não pode ser o que eu queria. Você não pode ser o que eu queria porque, puxavida, você é muito mais do que isso.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Nós

Nós? Nós não nos conhecemos, mas eu poderia passar a tarde inteira falando sobre você. Nós? Nós conseguimos esconder um elefante no meio da rua, mas não conseguimos andar do mesmo lado da calçada. Nós? Não dá para falar sobre nós. Nós, existiu nós? Não sei mais.
Nós tivemos a incerteza, o estrago, a briga, a impossibilidade, o complicado, o ruim, o difícil, a raiva, a invenção, o engano, o erro, a farsa, o vazio, o nada, o absurdo, o negativo e, foi isso, o que criou nós. Porque, de tudo o que houve entre nós, o mais forte, o mais forte entre nós, foram todos esses nós, os nós que nós criamos. Os nós na garganta.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Nem eu sei.

Eu só tenho 18 anos. Só? Sei lá se é só. Eu perco os anos, os dias, as horas. Perco o tempo e sinto muito por isso. Não faço tudo o que eu queria. Mas eu quero coisa demais. Sinto coisa demais. Penso coisa demais. Sou uma pessoa inteira, como toda pessoa normal. Todo mundo tem seus excessos de querer e de sentir. Mas nem todo mundo percebe isso. Nem eu percebo. Ou talvez eu perceba demais. Sou confusa. Não tenho certeza das coisas. Sou passado? O instante vira passado no agora. E o que o envelhece na gente? É só o corpo? Talvez eu seja meio velha por dentro. Ou talvez seja jovem demais. Tão pouca vivência com tanta coisa. Tanta mágoa e entendimento em outro tanto. Mas tanto amor também. Tantas pessoas, tantos tantos de coisas e muito mais. Mas isso é mesmo muito? Também não sei. Tem coisa que a gente nunca sabe. Eu não sei tudo sobre mim e tão pouco sobre você. Quem é você? Você que está lendo isso, aqui, agora. Eu escrevi para você. Seja lá quem você for. E seja lá quem você for, não espere muito disso que está lendo. Não sou das melhores em escrever, mas é que às vezes é preciso dizer, mesmo que isso não pareça adiantar alguma coisa. Eu queria fazer diferença pras pessoas, mesmo que não fosse pra muitas. E eu devo fazer porque, no fundo, todo mundo faz, mesmo que isso não pareça adiantar alguma coisa. O que é adiantar alguma coisa? É complicado. Somos todos uns complicados. Mas somos todos presos uns aos outros. O que nos prende é o ar, a matéria do pensamento. É dele que é feito o amor. Não dá pra nos encontrarmos em outras pessoas. Isso jamais. E não existe um amigo que eu tenho esquecido. A fundura do amor é grande e eu não fico na superfície. Tentar esquecer e deixar pra lá é doído. É tão doído que eu não consigo mais fazer amigos. Ou consigo. Ou não sei. Eu escrevo este texto na minha mente sem me dar conta. Eu escrevo este texto porque eu perco os anos, os dias, as horas. Perco o tempo e sinto muito por isso. Eu escrevo esse texto só pra dizer que, seja lá quem você for, eu gosto de você. No fundo, eu gosto das pessoas, mesmo que elas sejam ruins. Mas como a maioria, agora tento ficar na superfície.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

¬¬

Ele pisou em mim. Mas calma, não vou me fazer de vítima, eu permiti que fosse pisada. Sabe como é, paixão deixa a pessoa cega e se você chama essa paixão de amor então, você fica cega e surda. Sim, porque não foi amor, desculpa... eu li nesses livros de auto ajuda e minha psicóloga me disse, amor não é isso, eu não sei o que é amor, se soubesse eu descreveria aqui, juro. Mas eu sei o que NÃO é amor, e é aquele fogo de palha, sabe? De dois anos. Começa a todo vapor, mensagenzinha aqui, mensagenzinha ali, horas no MSN, saudade que parece que vai arrebentar o peito, depois as coisas dão uma esfriada mas quando pessoalmente ainda é uma coisa maravilhosa... até que acaba de vez. Aiai, se arrependimento matasse... sei que não é bom se arrepender, mas eu me arrependo de cada pequena coisa que fiz por ele. Todas. O fato é que eu gostava de ser pisada, sabe? Eu gosto é de coisa difícil mesmo, se o cara chega e já fala que ta muito a fim, que quer tentar e isso e aquilo eu não me dou ao trabalho de pensar nele naqueles 5 minutos de falta do que fazer. Agora se der trabalho, se eu tiver que correr atrás, que mostrar o quão feliz eu posso fazê-lo aíííí sim! Felicidade sem sacrifício não tem graça, mas hoje eu sei, hoje eu sei que foi errado eu deixá-lo pisar em mim. Tentei, corri atrás, chorei, sofri e ele sempre tão indiferente e fazendo questão de mostrar como estava bem sem mim... e hoje eu sei também que ele é pão com ovo se sentindo big mac.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Em um canto qualquer

Em um canto qualquer eu encontro rastros do que fui e não quero mais ser. Encontro fotos, cartas, presentes... talvez tenha um sentimento lá também, mas não importa, está em um canto qualquer e você sabe, um canto qualquer guarda coisas que não devem ser tocadas e só são lembradas quando se está sozinho, num dia chuvoso, os filmes na tv são chatos, os programas mais ainda, o telefone não toca, enfim... o que nos resta é pensar no que já foi, porque do futuro nada se sabe mais. Houve um tempo em que não existia dor, não existia solidão, não existia tédio, mas esse tempo está lá... naquele canto qualquer... e eu, estou agora no meu canto escrevendo sobre um canto qualquer que eu não quero pensar, ele veio até mim e me fez lembrar... mas não me fez chorar nããaoo! Agora eu tô forte, eu tô diferente, e não é qualquer canto qualquer que vai me fazer ficar mal! É isso aí, pronto, passou! Não sinto mais nada, tô sozinha no meu canto e as coisas que eu não quero mais, que fiquem no canto qualquer!
A menos que seja aquele canto qualquer em que eu encontro motivos novos, idéias novas, alguma pequena coisa qualquer, jogada nesse tal canto qualquer que pode me fazer querer virar o jogo. Um canto qualquer pode servir como abrigo também, como refúgio... pode-se encontrar um ar novo e se livrar do ar velho que sufoca de tantas vezes que já foi respirado...
Aqui, no nosso canto qualquer, pode ter qualquer coisa. Das rasas até as profundas, mesmo porque um canto qualquer não precisa ter sentido algum...


Luiza e Bruna