É estranho, eu escrevo ás vezes e não sou eu. Eu falo às vezes e não sou eu. Não me reconheço nas frases que eu formo. Não me reconheço nas roupas que eu uso. Não me reconheço nas músicas que eu escuto. Não me reconheço. É como se não fosse eu. É como se tudo estivesse em excesso mas alguma coisa faltasse. Entre um traço e outro, entre uma palavra e outra, entre uma dúvida e outra, entre um olhar e outro há a falta. E é tudo tão simples por dentro que o lado de fora não consegue entender. E isso complica tudo. Eu complico tudo. Eu complico porque às vezes eu vou fundo demais onde só haveria superfície e isso faz com que a criação de mil duzentas e sete borboletas na barriga diminua: uma ou duas voam pra longe, pra fugir do mergulho, e isso dói. Mas depois, numa hora qualquer, as minhas sempre voltam aos bandos e dá até vontade de chorar.
Todas as borboletas devem fugir. Elas devem ir aos poucos, uma a uma. Suas borboletas estão todas aí? Eu sempre acho que um dia, enquanto você dorme distraído, todas vão voar pra bem longe. Vão pra qualquer lugar distante e você não vai perceber de imediato. Com o tempo será como se elas nunca tivessem existido e, um dia, você vai acordar distraído, mas com um ar tão diferente, que novas borboletas surgirão vindas de um novo jardim, que não será o meu.
Desculpe. Eu fico repensando tudo, procurando algo na falta. Indo fundo a detalhes que só eu percebi. Tenho mania de pensar demais no que não é. Eu sempre sofro por coisas que não sei dizer. E é tão egoísta isso. Mas quase não dá pra perceber e dura pouco. Mas quase é real e quase é de mim, que sou quase uma pessoa real.
Só falta eu mesma, no meio de tanto excesso.
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As vezes eu penso que é tudo culpa das borboletas sempre... borboletas que aparecem em excesso quando você não precisa delas e que somem quando a única coisa que você queria era sentí-las. Aahh, se um dia eu encontrar quem as inventou!!
ResponderExcluirTem textos que eu leio e me inspiram, me dão ideias diferentes baseadas nas ideias que o texto me passou. Eles não são raros, mas precisam ser bem bons pra me darem alguma coisa, e esse me deu uma história e um mundo inteiro pra pensar.
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