A gente dói às vezes. Uma dor tão dor que nem se pensa em chorar, mas se chora mesmo assim porque não tem outro jeito. Mal sabia Macabéa: aspirina não faz passar. Música não distrai, televisão não concentra e nada concentra. Doer ocupa tudo. E olhar para o teto, o chão, a paisagem, a avenida, o telefone, as pessoas, o vazio, não vai bastar. Não se entende o porquê e se acha injusto. Não dar importância faz doer mais ainda. É difícil levantar um motivo real, mas é fácil levantar motivos sinceros. Pode parecer que nem é e, talvez, realmente nem seja.
De fora pode parecer qualquer coisa, mas não é. É outra coisa. Meio cansaço, mas também não.
A cada tempo mais coisas importam menos. É preciso sobreviver à calma e deixar de inventar pedras no caminho.
Mas, inventar? São todas sinceras, não ria. Não ache graça das complicações. A graça faz parecer brincadeira, besteira. Dá vontade de deixar as complicações pra lá. Mas pra lá onde?
Não ria, é sincero, sabe? Assim, eu vou perdê-las e rir também, mas você pode não estar aqui depois, o que facilitaria a volta delas, das complicações, das pedras inventadas no caminho.
Quem vai trazer a graça da tristeza no dia em que você for embora? Porque todo mundo vai embora. Menos eu. Você vai embora um dia e eu vou continuar aqui. Posso até parecer distante, mas não estou indo pra longe. Eu não estou indo embora. Estou indo pra dentro.
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Bru, seus textos salvam esse blog!
ResponderExcluirAchei o máximo essa de "posso até parecer distante, mas não estou indo pra longe. Eu não estou indo embora. Estou indo pra dentro."
Parabéns!
Está ótimo! Muito bom, mesmo! Nossa! Fiquei atônico com muitas frases deste texto.
ResponderExcluirObrigado pela leitura fascinante.